sou+no(A)mar  


À sombra

Vivi à sombra

do meu ódio

da tua traição

do que sou

do que queria ser

do que esperavas que eu fosse

do que desejei ser para ti

e para os teus

do que eu desejava fosse ‘nós’

da minha dor

do que eu pensava crer

do que julgava adequado

(ou certo)

do que tomei como certo

dos filmes a que assistimos

dos livros e personagens que admirei

do meu desejo de te ferir

da minha fome de vingança

da minha raiva pela tua alegria

(de apenas me ter ao teu lado

em fins de semana e feriados

e nem sempre o quereres

quando eu queria mais

– ou pensava querer

ou pensava que “mais” nos faria felizes)

das fantasias

de querer provar

(que eu podia

que eu sabia

que eu conseguia

que eu... e que tu)

de acreditar no inacreditável

(e no que já tinha morrido).

Vivi à sombra de querer acreditar

que não tinha morrido o que já tinha morrido

de sentir saudade do que era morto

em mim

em ti

entre nós.

E hoje,

à sombra duma árvore,

ou dum poste,

a um minuto de começar a viver

o resto da vida

– o que me resta de vida –

me pergunto:

vale a pena

ver o sol

na última hora?

(E já temo

– senão desejo! –

que o sol me queime a pele

e eu nasça de novo.)


Escrito por Mim, quem mais? às 01:48:50 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Meus caminhos

O caminho só existe
quando você passa.

Protestas e acusas:

salto abismos.

Porém esqueces:

foste quem explodiu a ponte.


Escrito por Mim, quem mais? às 16:16:01 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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