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Viagem para Cancun
Thank you India
Todos os dias, tudo sempre igual. Acorda à hora que o sonho já não quer mais ficar na cabeça. Levanta-se quando o corpo já não pode mais ficar na cama. Vai à luta. Muitas vezes contra si mesma. E todos os dias sonha com a viagem a Cancun. Não só sonha. Todos os dias vai ao consulado. Todos os dias é modo de dizer. Toda semana. Ou pelo menos a cada quinzena, quando os afazeres são muitos e a esperança é pouca. Ela quer fazer uma viagem a Cancun. E vai ao consulado porque quer o visto. E toda semana (deixemos semanal este intervalo - embora eu pudesse dizer vezes, sim, todas as vezes) ela explica à mesma mocinha sorridente que trabalha no consulado dando vistos (ou negando-os) que ela queria ir a Cancun para morar lá, porque tinha ouvido falar maravilhas do lugar, visto fotos, assistido a documentários, comprado catálogos... Tinha recursos, qualificações, procuraria trabalho - não, não se envolveria com nada ligado à criminalidade! Ela só queria morar em Cancun. Mas a mocinha que negava vistos (e ora os dava) sempre tinha a mesma resposta: "Desculpe, não será desta vez." Ela queria MUITO ir para Cancun. Um dia conseguiu um vistinho. Turístico. Validade de permanência: 24 horas. Depois disso, era por conta e risco dela. Fosse caçada (como um bicho, não com SS como um político), a mocinha que mui generosamente lhe cedeu o visto nada poderia fazer. "Ah! E tem de ser agora, num cargueiro que recolhe cascas de batata da ilha e sai daqui a 37 minutos. Ele vai vazio, então terá bastante espaço pra você. Na volta, bem, você quer muito ir, não é mesmo?" E ela foi. Não passou em casa, não havia tempo. Entrou na primeira loja disponível, comprou biquíni, canga, toalha e que-tais. Para o porto. E foi. Cancun era realmente tudo isso. Mas ela podia aproveitar tão pouco... Não queria ficar sem permissão, sem o direito de permanência. E, de volta ao seu país, continuou indo, toda semana, ao consulado. Era boa pessoa. Não entendia por que a mocinha lhe negava o visto. Um dia, saindo do consulado, querendo muito ainda voltar para Cancun, mas com esperança já... débil, era o único termo que conseguia encontrar, nesse dia havia um mocinho desses que distribuem panfleto na rua distribuindo panfletos na rua. "Vá à Patagônia!" E o consulado da Patagônia (Desculpe-me, leitora crítica, este conto não tem qualquer compromisso de verossimilhança jurídica! Que tola você, que assim o quer!) era ali pertinho. - Patagônia?! Só tem neve, gelo, frio... Eu sou tão tropical! Cancun é tão tropical. Suas férias estavam chegando, e não queria ficar em seu país. E como não via jeito de ir a Cancun, resolveu ir ao consulado da Patagônia só pra saber... Voltaria ao de Cancun, mas passaria no da Patagônia - só pra saber... E foi atendida por uma mocinha sem nenhum atributo especial, que lhe disse que a concessão de vistos turísticos estava temporariamente suspensa, mas ela poderia ter um visto de permanência, caso quisesse ir. Nada a obrigaria a morar na Patagônia, mas, quisesse ir, só com visto de permanência. Ela foi, e aguardo um postal.
Escrito por Mim, quem mais? às 11:11:36 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Domingo, 7 de dezembro de 2008, numa mesa de restaurante,
dois casais. Pais e filho, sogros e nora. Elas conversam. Eles assistem ao jogo que, silencioso, o telão transmite. (Típico.) Olhos imóveis os deles. Bocas incessantes as delas. ( ) Seriam incomunicáveis os universos feminino e masculino? Escrito por Mim, quem mais? às 23:01:05 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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