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Impunidade “Tudo posso, mas nem tudo me convém.” Há quem verdadeiramente acredite que eu posso é uma frase desacompanhada de conseqüências. Sejamos sensatos: no universo, nada passa incólume, impune, irreparado. Seja pelas leis cósmicas do próprio universo, seja pelas de seu Criador, seja pelas – segundo alguns, já caducas – newtonianas, seja pelas da incompreensível física quântica, a verdade é que tudo produz lá seus efeitos. Vini, vidi, vinci não é frase para ser pronunciada por qualquer um. Há de se ser César, há de se ter um império sob os pés, há de se comandar exércitos, e há de se ter saldo para pagar o preço. Não poucos querem os louros, e as idéias hedonistas que nos chegam por intermédio dos programas infantis, filmes hollywoodianos, ideologia nos livros de história e aparente ausência dela nas aulas de matemática nos convidam, pouco a pouco, a crer que um laurel pode enfeitar a cabeça de qualquer um. Esforços? Qual o quê! Basta ter nascido! – talvez com alguma sorte, talvez com um talento especial, talvez com 107 cm de quadril. Sim, eu posso correr 20 km diários para entrar em forma, mas para isso terei de acordar mais cedo todos os dias; sim, eu posso comprar uma bicicleta, mas ela me custará aquela caixinha – aliás, muitas caixinhas – de bombons que sempre compro porque gosto de ter um docinho para beliscar depois do almoço. Sim, sim, eu posso ser uma pessoa melhor, mas isso me exigirá abrir mão de muita coisa que me é cara (podre, às vezes, mas minha). No universo, não lá no das estrelas, mas cá no das árvores, corações e poluição, cada coisa cobra seu preço. Amar, por exemplo, exige renúncia. E sem batalhas, sem louros. Escrito por Mim, quem mais? às 16:16:40 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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