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Biologia aplicada Feedback, também conhecido como retroalimentação, é um sistema bem simples: tu me alimentas com algo e em conseqüência disso te alimentarei com outro algo. O algo que me deres – por exemplo, jenipapo, biscoito, amor – poderá preencher uma necessidade nutricional minha e, dependendo do algo que for e da minha constituição, a corpórea e a etérea, poderá fartar-me (ou faltar-me) tal ou qual nutriente, o que terá conseqüências no meu metabolismo, estilo de vida, personalidade, humor… O algo que me deres não será obrigatória e necessariamente o algo que te darei, porque posso ingeri-lo ou transformá-lo – se me deres jenipapo, retroalimento-te com licor; se me deres biscoito, com bolacha (tal ou qual seja minha naturalidade, ou minha natureza); se me deres amor… Se me deres amor, não sei com que te retroalimentarei, mas ficarei nutrida, e certamente poderei, se me deres amor. Se eu te der amor, e me retroalimentares com desprezo, ausência, dor, traição, descaso, incredulidade, indiferença, mesquinhez, soberba, orgulho, desrespeito… Se como retroalimento do amor que te der me deres desrespeito… que achas sofrerá meu corpo e meu ser etéreo? Que transformações, que alterações, que mutações pensas sofrerão? Ou acreditas poder dar-me carniça e preservar-se o perfume em minha boca? Bendita seria, se fosse. Mas não sou, porque não sou o que seria, tampouco o que fosse, ainda menos o que serei, que não há “serei”, isso é uma invencionice iludida de toda a gente. Mas se me deres amor… Ah… Se me deres amor – e pensar as feridas, mostrar paciência, usar de tolerância, refletir nos olhos alegria por ser e por estar, carinhar o corpo, ralhar com respeito, procurar, aninhar, oferecer abrigo, enxotar do ninho para o vôo, ouvir, compartilhar, querer e agir, munir-se da verdade, afastar o engano, nisso consiste o amor – se me deres amor, e ser for amor o amor que me deres, fome será apenas uma palavra registrada em dicionários. Escrito por Mim, quem mais? às 19:03:33 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O gato e a borboleta Numa tarde ensolarada, rara para o lugar e para a época do ano, após o almoço uma calmaria tomava conta da casa. Eu observava o gato, que altivo olhava através do vidro, sem sinal de interesse particular por coisa alguma, e sem parecer incomodar-se com a quase ausência de pessoas no ambiente, ele que, contrariando o que se diz sobre a espécie, sempre demonstrava apreciar companhia. No mais, era como todos os outros gatos: gostava de comer, e dormir, e caçar, e dormir, e brincar, e dormir, e lamber-se, lamber-se, lamber-se, e dormir, e esfregar-se nos móveis, imóveis e pessoas, e dormir. Era um gato muito... – Er… Oi! – Oi! Quem é você? – Eu sou o leitor. – Bem-vindo, mas… Como você veio parar aqui? – Não importa muito. Eu… tenho uma pergunta, você responde? – Hmm. Embora sua recíproca não tenha acontecido, vai lá, diga. – É sobre essa história. – Que tem a história? – É sobre um gato e uma borboleta, não é? – Sim. Não te parece? – Pra dizer a verdade, não. Até agora você só falou sobre o gato, suas felinices e tal. E a borboleta? – Que tem a borboleta? – Ela não aparece na história? – Com pressa? – Impaciência, talvez. – Típico da juventude. – Mas eu não sou tão jovem! Já posso votar e ser preso. É que… – É que…? – A borboleta. E o gato. É uma fábula isso? Com moral e tudo o mais? É que não agüento mais história assim, que “ensina” alguma coisa. – Mas todas as histórias ensinam. Inclusive esta. – Então já vi: vai ter aquelas liçõezinhas “não maltrate os animais”, “seja legal com o seu próximo”, “respeite as diferenças” etc. etc. – Talvez não. – Então conta, que aconteceu com a borboleta? – Se contar agora estrago a história. – Ninguém vai ficar sabendo… – Hum! – Ah, vai! Tá todo mundo querendo saber o que aconteceu! É só olhar pra eles! Conta logo! – Mas se eu contar agora, não vou ter mais nada para contar depois, e aí a história acaba. – Faz outra, ora! – Tem razão. – E aí? – Ela morreu. – Sabia! – Como?! (a continuar) Escrito por Mim, quem mais? às 20:57:26 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ]
(continuada) – Foi o gato! – Bem… – Ele bem que tentou ajudar a borboleta a se salvar da rede do malvado caçador, arranhou a cara dele toda, mas no fim não conseguiu livrar a amiga, e agora, triste, olha para fora da janela, pensando na pobrezinha que se foi e como eles costumavam brincar juntos… – Calma! Você anda lendo ficção demais! Só em fábulas borboletas e gatos são amigos. E a história, acho que já disse pra você, não é uma! – Então…? – O gato matou a borboleta. – Como?! – Ué, como fazem os gatos: correm atrás, dão patadas, dominam, paralisam, depois matam e comem. – Mm… – E quando olhava através da janela viu a borboleta, daí resolveu caçá-la. – Ele tinha fome? – Não! Era um gato muito bem alimentado. – Então por quê…? – Instinto, acho. – Mas gato não caça só rato e passarinho? – Nããããão. Gatos também caçam barata, aranha, mosquito, mosca, mariposa, borboleta, sapo e qualquer outro animal menor que eles e que não os enfrente. – Puxa! E depois? – Depois o quê? – Depois que o gato comeu a borboleta. – Ele se deitou no sofá e dormiu. – Assim, sem culpa nenhuma. – E que culpa ele tem de ser gato? (a continuar) Escrito por Mim, quem mais? às 20:51:32 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] (continuada) – … – Agora temos um problema. – Qual? – Como te contei o que aconteceu com a borboleta, não tenho mais história. – Puxa, foi mal. – Não quer me ajudar a dar um fim nisso? – Como? Eu? Criar uma história?! Tá variando… – Bom, eu te contei o que aconteceu, eu te ajudei. Agora… – Por que não pede ajuda a outro? Pode ser um autor famoso, um professor experiente, ou mesmo um leitor! – Hmm, boa! Mas como é que eu vou fazer isso? Não posso sair por aí falando com todo mundo. E se ninguém me ouvir? Talvez seja melhor terminar de um jeito assim, meio borboleteante: “E a borboleta foi pro céu das borboletas e o gato ficou no sofá e os dois foram felizes para sempre, cada qual a seu modo.” – Blergh! Que meloso! Está mais para “e a borboleta foi pro céu da boca do gato e o gato foi feliz até capturar a próxima vítima.” – Pode ser… Mas esse negócio de pôr o gato como algoz… Sei não. Era só instinto. – Tá bem. Mas foi o que consegui. Se quiser melhor, pede ajuda. – E se eu disser que a borboleta, num gesto de magistral leveza, conseguiu escapar à sanha do malvado gatinho?! – Não vai rolar. Ninguém vai dar crédito. Todo mundo sabe que a bichinha já, ó, babau! – É, tem razão. – E aí quem fica mal é você, que vai passar por mentiros… Você é mentiroso ou mentirosa? – Nem uma coisa nem outra! Humpf! – Não… Er… Quero dizer… Se dissesse uma coisa dessas, você seria, melhorou?, seria, mentiroso ou mentirosa? – Que importa? Vamos mudar o rumo dessa prosa e pedir logo ajuda? – Quer que eu ponha uns cartazes, umas faixas, uns anúncios no carro de som do bairro? – Carece não! – Então como vai fazer? – Simples. Ficamos aqui parados, aguardando alguém se manifestar. Aí anotamos as idéias que vierem, depois selecionamos a de que gostarmos mais e escrevemos. Se não chegarmos a um acordo, escolhemos umas quantas nos pareçam melhores e sorteamos a que vai ser registrada. Sem distribuição de prêmios, não sei se haverá muitos candidatos, mas é só esperar e torcer. – Vou pegar papel e caneta! Escrito por Mim, quem mais? às 20:40:14 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Queria começar 2008 com uma receita – e, acreditem!, tenho uma receita para 2008 – e queria ter começado bem mais cedo, mas os dias vieram e me dei conta já era fevereiro. Dizem que o ano efetivamente começa após o carnaval, então achei por bem começar o meu no começo efetivo. Sem receita, porém. Esta fica no forno, enquanto os petiscos são servidos. Bom apetite! O dia em que matei um sapo coaxa coaxa fazia o sapinho coaxa coaxa já não faz mais coaxa coaxa num pulo levinho coaxa coaxa pra baixo e pra trás engato a primeira ainda posso parar vai logo sapinho sua vida salvar coaxa coaxa e salta ligeiro que a roda impiedosa não vai te livrar coaxa, sapinho vai rápido, vai presto sai logo da frente a ré não posso dar … CATAPOFT! … coitadinho do sapo não pude evitar uma lágrima arrependida me resta derramar doído o coração vou logo pro quarto e vejo sapinhos de cerâmica e pelúcia na cama espalhados lembrando-me, malvados!, do sapo coaxa-coaxa que há pouco se foi era coxo o sapinho? não sei, não vi coxo ficou meu coração coaxados meus olhos um sapinho irmão! mas também que idéia! e teria o sapo de saber que se não corresse a roda viria e sua vida, adeus? sapo não é gente não tem cérebro inteligente ah! apressada preguiça e desmedida pretensão! agora peço muito a Papai-do-Céu perdão pela vida tirada tão cedo da Terra e que no céu dos sapinhos este sapo coaxa-coxo esteja sempre a ribidar ribidar ribidar Escrito por Mim, quem mais? às 15:30:13 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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