sou+no(A)mar  


Esta não é uma história sobre carros

Parte I: Dirigindo perigosamente

Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor:
"Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres;
e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais".
(Lucas 19:7-9)


Era uma vez uma mocinha muito distraída. Era uma vez um mocinho muito impetuoso. Era uma vez um carro. Não! Era uma vez DOIS carros. E era uma vez uma batida.

A mocinha, distraidamente, dirigia seu carro enquanto falava ao telefone, escrevia uma mensagem, retocava o batom, algo que ela não soube explicar muito bem ao guarda.

O mocinho, impetuosamente, tentava ultrapassagem pela direita, aproximava seu veículo a um fio de cabelo de distância do carro da mocinha; não buzinava, cioso dos hospitais nas redondezas, mas roncava o motor; e roncava e roncava e roncava o motor. E aproximava seu carro a um fio de cabelo de distância do carro da mocinha.

A via era esburacada, perigosa, com obstáculos e placas com limites de velocidade a cada poste – e eram muitos postes!

A mocinha distraída, incomodada com aquela insistência, resolveu acelerar. Muito. O mocinho impetuoso correu junto. Não ficaria pra trás! De repente, um buraco, um buraco muito grande, uma cratera! A mocinha freou. O mocinho, a um fio de cabelo de distância do carro da mocinha, não conseguiu frear a tempo e bateu no carro da mocinha.

 

(to be continued...)

 



Escrito por Mim, quem mais? às 11:04 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O que as confeitarias ensinam

“O Reino dos céus assemelha-se a um tesouro escondido no campo.
Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o novamente.
Então, transbordando de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele terreno.
A pérola de grande valor.”

 

Depois que se prova um bom vinho, não se volta a um vinho ruim. Não sem alguma – ou muita – dor de cabeça.

Depois que se bebeu o melhor café, todos os demais trarão à memória “aquele” café – seu aroma, seu sabor, seu o momento, seu quê e seu porquê. Dessa lembrança incomparável se forma a saudade.

Depois que se prova a melhor torta da cidade… ou se começa uma busca incessante por ao menos uma outra confeitaria que ofereça ao menos uma torta quiçá semelhante, quiçá à altura, quiçá tão inigualável quanto a menos atrativa das delícias daquela que é a confeitaria com as melhores tortas da cidade… ou se abre mão de tentar novas tortas, novas confeitarias, e se volta, sempre e sempre, à confeitaria do meio do quarteirão, porque nem a melhor torta de algum’outra confeitaria alegra, contenta, sacia.

Depois que se tem um vislumbre do melhor, não dá para contentar-se com o bom.

Chamar o bom inimigo do ótimo é ter ainda muito o que aprender com confeitarias.


Escrito por Mim, quem mais? às 14:38 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Dístico do amor

Cada escolha, uma cor.

Cada escolha, uma dor.


Escrito por Mim, quem mais? às 12:23 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O curso natural das coisas

"O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum"
(Alberto Caeiro)

Era uma vez um menino. Nasceu, cresceu, namorou, casou-se, multiplicou-se, viu a prole procriar, morreu.

Era uma vez outro menino. Nasceu, respirou, mamou, chorou; um dia, deitado no berço, morreu.

Era uma vez uma menina. Morreu antes de nascer.

O curso natural das coisas é bem vasto e variado. Há talvez um curso estatisticamente mais comum das coisas; um curso “normal”, se entendermos “normal” como “tomado por norma ou regra;
na média”. Mas “natural” me soa tão pouco apropriado quando penso na vastidão das realidades humanas…

O “curso natural” de um relacionamento, por exemplo. Casar, dividir tetos e contas, ter filhos, netos, aposentar-se, morrer. Mas e quem não casa: é antinatural? E quem casa mas não tem filhos: é ciborgue?

Penso não existir um curso natural para os relacionamentos, mas cursos possíveis. Cursos desejados. Cursos escolhidos. Cursos que são atalhos. Cursos que são desvios –- nem por isso menos “cursos”. Mas não há um curso eminentemente natural. Apenas cursos possíveis.


Escrito por Mim, quem mais? às 17:40 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Magra de ruim

Com este texto, provavelmente farei alguns inimigos. Mas, ora, pitomba, cansei de ser boazinha. Não dizem que sou magra de ruim? Então, vamos à ruindade.

Eu não sou “magra de ruim”. Não existe ninguém “magro de ruim”. Existe gente magra e existe gente gorda. Existe gente alta e existe gente baixa. Se a pessoa não for alta, pode usar salto. Se for, não pode cortar as pernas. As pessoas gordas ou magras que não estão felizes com sua relação peso-altura que procurem um jeito de lidar com isso.

Li matérias (nunca estudos) que falam de diferenças de metabolismo, paladar “magro” versus paladar “gordo” etc. Pode ser tudo verdade. Mas, como eu disse, nunca li nada científico a respeito. Popularmente, porém, se fala de uma “tendência” a engordar. Bom, deixe-me explicar como funciona a minha “tendência” a não engordar.

Eu gosto de brócolis. Muito. Eu gosto de tomate. Eu amo frutas. Eu não vivo sem pão, mas duas vezes ao dia, no máximo, é minha cota. Amo bolo e minha cota é de umas cinco fatias por dia, embora nem sempre eu chegue a esse número e possa ficar sem uma fatia sequer por umas duas ou três semanas. Eu não como entre as refeições, porque cada uma das oito vezes em que eu como ao dia é uma refeição -– e eu paro para fazer isso. Eu bebo muita água. Eu posso passar a vida sem comer “salgadinhos”. Eu não “pulo” café da manhã. Aliás, eu não “pulo” nenhuma refeição. Eu não como nada muito doce no café da manhã (exceto as “rabanadas geladas do dia seguinte”, em 25 de dezembro e 1º de janeiro). Eu não fico mais de quatro horas sem comer. Eu como quando tenho fome. E eu tenho muita fome. Eu não gosto de fritura (exceção para batata e aipim fritos, bolinhos de aipim e de bacalhau, os pastéis do Bar do Adão e do Kareka’s, e pipoca). Na minha despensa não há porcaritos. Se eu olho pra a fruteira de manhã e há uma banana (ou um cacho inteiro, mas verde) eu começo a ficar inquieta. Eu como porcaritos, pizza, hambúrguer e cachorro-quente, vez cá, vez lá, mas posso ficar meses sem e não tenho tesão por nenhuma dessas coisas. Eu como devagar. Muito devagar. Eu aprecio a comida. Enquanto eu redigia este texto, interrompi-o para comer duas castanhas-do-pará e dois biscoitos maizena, pois estava morrendo de fome...

Eu já ouvi pessoas dizendo que bacon é muito mais saboroso do que fruta-do-conde. Eu não acho. Não sei se porque minhas refeições na infância nunca foram preparadas com bacon, e por isso não desenvolvi um “paladar gordo”, não sei se porque “nasci para” não gostar de bacon (a genética determina nossos gostos?). Fato é que não acho mesmo.

Entretanto, nem tudo são flores, e confesso certa “tendência” a desenvolver uma barriguinha-de-peixinho-de-vala, que já me rendeu algumas cedidas de lugar no metrô e uns “Parabéns” meio fora de questão. Mas é impressionante como essa “tendência” desaparece quando durmo todas as horas de que preciso, me exercito e como corretamente!


Escrito por Mim, quem mais? às 12:42 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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