sou+no(A)mar  


Um sonho com o mar

"Até aqui virás, contudo, não avançarás;
e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas"

(do livro de Jó)

 

Frequentemente sonho com o mar. Imagem talvez de quem vive em cidade litorânea. Sempre com mar agitado. Ondas gigantes. Ressaca. Tsunami. A água me encobrindo, me tragando, prestes a me alcançar. Ameaça. Sensação apavoramento. Sempre.

Noite dessas não foi diferente -- embora tenha sido. Sonhei com o mar. Agitado, em ressaca, ondas vindo para cima... Mas eu ia na direção do mar. Eu não fugia dele. O mar não me apavorava. Eu olhava as ondas invadindo a areia, a água vinha até meus pés, e meu coração estava plácido. Não havia medo, mas uma tranquilidade de quem sabia que a tempestade não seria para sempre. Nem seria fatal. Passeava na areia, falava com pessoas... depois saí. (Calma e prudência precisam andar juntas.)

Daí houve navio, festa, imbróglios dispensáveis a esta narração.

O mar... O mar continua tomando espaços. Mas só até um tanto.


Escrito por Mim, quem mais? às 17:39 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Cabra-cega

"Esse galo cantor
Uma vez acordou
E já era claro
Mas nem por isso o galo se calou
O galo cantou
E nesse dia o galo clareou"
(O galo cantor – MPB 4)

Atrás do que nos escondemos? De traumas? De medos? De rótulos? De alguma condição? Dessa ou daquela circunstância?

Escondemo-nos atrás de pessoas? Da religião? Dos títulos? Das medalhas? Dos troféus? Das doenças? Das guerras? Da fome na África? 

E tu – atrás do que te escondes? Da tua infância? Da enfermidade da tua mãe? Da indiferença do teu pai? Dos teus amigos? Dos teus filhos? Do teu trabalho? Do teu diploma? 

Te escondes atrás da tua sede de vingança? Da tua falta de vontade de perdoar? Do teu casamento acabado? Da tua vontade de casar? Do teu casamento arrastado por um tempo mais insuportavelmente longo do que deveriam durar os casamentos em que nem um nem outro se empenha para mudar a inércia anedônica? Do teu pretenso saber como funciona o casamento, a máquina de lavar e o universo? 

Te escondes sob a tua necessidade de parecer mais forte do que te achas… ou do que és? Sob a tua falta de dinheiro? Sob a tua abastança? Sob o teu desemprego? Ou sob o teu emprego?

Atrás da tua reputação te escondes? Dos teus hobbies? Das fórmulas (tu as inventaste?) pelas quais deduzes se quem te despertou interesse te corresponde? Das mandingas e das mágicas de ocasião? De superstições? 

Ou de sistemas políticos, sistemas religiosos, sistemas econômicos, sistemas sociais, sistemas computacionais, sistemas…  atrás de quais sistemas te escondes? 

Sob fotos fofinhas e mensagens motivadoras te escondes? Sob bons-dias enviados toda manhã a destinatários eletrônicos a quem jamais dedicaste vinte e quatro horas do teu tempo? Ou doze. Ou seis.

Tens fé genuína, amor genuíno, esperança genuína, ou te escondes atrás da fé, do amor, da esperança que querias ter mas nunca conheceste?

Atrás de que ilusão, de que engano, de que fantasia, de que jogos de manipulação, de que mentiras te escondes?

Te escondes atrás dos desejos forjados pelos filmes, inculcados pelos teus pais, sugeridos pelos teus amigos, exaltados pelos teus pares… mas que nunca foram teus desejos? 

E nós – nós todos. Eu, você, ela e ele… atrás de que traumas nos escondemos? 
De que medos? 
De que condições? 
De que circunstâncias? 
De que pessoas?
De que fábulas?
De que sistemas?
De quem?
De quê?

Escrito por Mim, quem mais? às 14:25 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Esta não é uma história sobre carros

Parte I: Dirigindo perigosamente

Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor:
"Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres;
e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais".
(Lucas 19:7-9)


Era uma vez uma mocinha muito distraída. Era uma vez um mocinho muito impetuoso. Era uma vez um carro. Não! Era uma vez DOIS carros. E era uma vez uma batida.

A mocinha, distraidamente, dirigia seu carro enquanto falava ao telefone, escrevia uma mensagem, retocava o batom, algo que ela não soube explicar muito bem ao guarda.

O mocinho, impetuosamente, tentava ultrapassagem pela direita, aproximava seu veículo a um fio de cabelo de distância do carro da mocinha; não buzinava, cioso dos hospitais nas redondezas, mas roncava o motor; e roncava e roncava e roncava o motor. E aproximava seu carro a um fio de cabelo de distância do carro da mocinha.

A via era esburacada, perigosa, com obstáculos e placas com limites de velocidade a cada poste – e eram muitos postes!

A mocinha distraída, incomodada com aquela insistência, resolveu acelerar. Muito. O mocinho impetuoso correu junto. Não ficaria pra trás! De repente, um buraco, um buraco muito grande, uma cratera! A mocinha freou. O mocinho, a um fio de cabelo de distância do carro da mocinha, não conseguiu frear a tempo e bateu no carro da mocinha.

 

(to be continued...)

 



Escrito por Mim, quem mais? às 11:04 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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BRASIL, Mulher, Interlingua, Humanos





     
     




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